Antes de continuarmos a falar sobre o Marketing Esportivo, cabe fazermos um post sobre uma relação interessante que deve acontecer no mercado brasileiro. O Corinthians pretende contratar um atleta da seleção chinesa de futebol. Apesar da escolha não ser baseada em performance, a vinda do jogador poderá ter impactos consideráveis no que se refere à internacionalização da marca do clube paulista.
A China é 75ª colocada no ranking da Fifa e não apresenta nenhum atleta de destaque. Porém, é o maior mercado consumidor do planeta e, a cada dia, vem aumentando o seu interesse por futebol. Dessa forma, e em parceria com a Nike - empresa que fabrica os uniformes corintianos - a agremiação pode aumentar a sua arrecadação com venda de produtos oficiais, além de garantir a sua marca em um mercado cada vez mais importante para os principais setores da economia mundial.
A estratégia do Corinthians é algo bastante utilizado pelo Marketing Esportivo, apesar de pouco difundido entre os clubes brasileiros. O Manchester United, por exemplo, que possui apenas 4 milhões de torcedores na Inglaterra, tem um plano de internacionalização da marca muito forte e com ótimos resultados, tendo em vista que é uma das equipes que mais vendem produtos oficiais fora do seu país de origem. Prova de que o investimento mercado oriental vale a pena é a presença do meia coreano Ji-Sung Park.
Ainda no esporte, algumas ligas também investem junto com os clubes. A NBA é uma das mais clássicas - ela investe e apoia a presença de estrangeiros no plantel das equipes. Por isso, pode-se observar alemães, brasileiros, chineses, etc. no maior basquete do mundo. A Fórmula 1 também faz questão de ter pilotos de países variados nas equipes - não é por acaso que não são realmente os melhores do mundo que estão lá, mas representantes de diferentes países. Esse tipo de esforço é essencial para se gerar interesse pelo esporte no máximo de pessoas possíveis.
Um possível tiro no pé
A iniciativa corintiana foi de se tirar o chapéu, mas o homem responsável pelo Marketing da equipe escorregou no jeito despreocupado que os clubes brasileiros têm ao tratar o futebol e fez declarações condenáveis.
"Já estou negociando com um moleque da China. É ruim de bola, o desgraçado (risos). Mas não faz mal", disse o diretor de Marketing do Corinthians, Luis Paulo Rosenberg. "A chinesada vai saber que tem um chinês jogando no Brasil, vai pagar os tubos para passar jogo na TV local e vai comprar a camiseta do Corinthians com o nome do cara. Ling, Shing... Tenho de apelar, já que não ganhei a Libertadores", completou.
O desrespeito ao atleta que será contratado pode resultar em números contrários ao que espera a equipe de Parque São Jorge. E, mais uma vez, prova de que não é só de boas ideias que precisamos no Marketing Esportivo brasileiro, mas também, e principalmente, de gestores com posturas minimamente aceitáveis ao falarem dos adversários e, em especial, dos clubes para os quais trabalham.



Bacana o blog e o estudo que faz sobre o marketing esportivom Marcelo. Sugiro um post então sobre o marketing que o Barcelona faz de sua incrível escolinha, La Masía, um raro caso onde o esporte está ligado à promoção dos melhores valores, não só do esportista, mas do homem.
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